Segundo o head chef Yann Kamps, do Le Cordon Bleu Brasil, trata-se de um mito. “O azeite permanece na superfície da água e não impede que a massa grude; além disso, pode dificultar a aderência do molho depois do cozimento”, explica.
O que realmente evita que a massa grude é o uso de água em quantidade suficiente, a fervura constante e mexer o macarrão nos primeiros minutos de cozimento. Já o azeite cumpre melhor seu papel quando entra em cena no preparo do molho ou na finalização do prato (não dentro da panela de água).
Não há como evitar o choro ao cortar cebola
Cortar cebola também te faz chorar? A boa notícia é: ao contrário do que muita gente acredita, isso é evitável • Pexels Cortar cebola é quase sempre associado a olhos ardendo e lágrimas inevitáveis. Por isso, a ideia de que não há como escapar desse incômodo acabou se consolidando como uma verdade absoluta na cozinha.
Para o chef Yann Kamps isso não passa de um mito. “O uso de uma faca bem afiada reduz a ruptura das células da cebola e limita a liberação do gás irritante, diminuindo significativamente o ardor nos olhos”, explica.
Além da faca adequada, técnicas de corte mais precisas e rápidas também ajudam a reduzir o desconforto. Ou seja, o choro não é uma condenação inevitável, muitas vezes ele é apenas resultado de ferramentas inadequadas.
Arroz precisa ser lavado antes do preparo
Lavar o arroz não é obrigatório: o ato está relacionado à forma que você deseja preparar esse arroz • Pexels
Para muitos, é impensável levar o arroz à panela antes de ser lavado. Mas, na prática, a regra não é tão rígida assim.
“Lavar o arroz depende do resultado que você quer. Se for para um arroz soltinho, ajuda porque remove o excesso de amido. Mas, para risoto ou arroz doce, por exemplo, eu não lavo, porque preciso desse amido para dar cremosidade”, explica Kemps.
Na cozinha profissional, a técnica nunca é aleatória: ela responde à intenção do prato. O que muda não é o ingrediente, mas o efeito desejado: textura, ligação e resultado final. Nem toda tradição, portanto, serve para todas as receitas.
Só homens podem preparar sushis
Um dos maiores mitos da culinária japonesa é que ela não pode ser preparada por mulheres por conta da temperatura das mãos • Pexels
Durante muito tempo, a presença feminina atrás do balcão de sushi foi cercada por preconceitos. Um dos argumentos mais repetidos dizia que mulheres teriam as mãos mais quentes e, por isso, não seriam as mais indicadas para manipular ingredientes delicados e perecíveis, como o peixe cru.
A chef Telma Shimizu explica que essa ideia não passa de um mito. “Existia o preconceito contra mulheres preparando sushi, baseado no mito de que elas teriam as mãos mais quentes e, por isso, não seriam as mais indicadas para manipular ingredientes perecíveis e delicados. Nada mais longe da verdade, pois fisiologicamente as mulheres têm, em média, a temperatura corporal ligeiramente mais baixa do que os homens”, ressalta.
Mais do que uma questão biológica, trata-se de um estereótipo cultural. “Um bom trabalho é baseado em técnica, dedicação, sensibilidade e respeito pelo ofício, pelos ingredientes e pelas pessoas, não importa o gênero”, completa a chef.
Fermento não pode ser batido na batedeira ou no liquidificador
É mito que o fermento não pode ser batido na batedeira ou no liquidificador; isso não faz o bolo solar • Pexels
Quem nunca ouviu que, no preparo de um bolo, o fermento deve ser batido na mão, após o preparo da massa para o bolo não solar? A recomendação acabou se consolidando como regra nas cozinhas domésticas.
Segundo a chef confeiteira Carole Crema, isso, porém, é um grande mito. O receio não está no uso dos equipamentos, mas no tempo entre a adição do fermento e o momento de assar. Se o fermento for incorporado à massa com muita antecedência, ele começa a agir antes de ir ao forno e pode perder parte de sua ação.
Nesse contexto, bater o fermento não é um problema. O cuidado necessário é outro: “Quer bater no liquidificador? Sem problemas. Pode bater. O que não pode é colocar com muita antecedência. Bateu, já coloca no forno”, orienta.
Algumas pessoas não têm “mão” para fazer doces
A ideia de que algumas pessoas não levam jeito para a confeitaria (ou que possuem a chamada “mão quente”) é um dos mitos mais comuns quando o assunto é preparo de doces. Diante de um bolo que sola ou de um brigadeiro fora do ponto, é comum atribuir o resultado à falta de talento ou de dom.
Para a chef confeiteira Ana Piku, à frente da PikurruchAS, esse raciocínio não se sustenta. Segundo ela, a confeitaria é essencialmente técnica. O sucesso de uma receita depende de medidas corretas, ingredientes nas temperaturas adequadas e respeito ao método de preparo.
Quando algo dá errado, quase sempre há um motivo claro: fermento vencido, proporções incorretas, forno frio ou etapas puladas. Diferente da cozinha salgada, em que ajustes podem ser feitos durante o preparo, doces exigem precisão desde o início.
Na prática, não existe “mão ruim” para doce. Existe falta de técnica ou de atenção ao processo, algo que pode ser aprendido, corrigido e aprimorado com prática.
Cerveja boa é cerveja gelada
Cerveja não precisa ser consumida estupidamente gelada. Pelo contrário, temperaturas muito baixas podem mascarar seus aromas e sua qualidade • Pexels
No Brasil, a ideia de que cerveja boa precisa estar extremamente gelada é quase um consenso. O argumento mais comum é o clima quente do país, como se a temperatura elevada justificasse, por si só, o costume. Mas essa explicação não se sustenta quando observada de perto.
Segundo o especialista em cervejas Edu Passarelli, trata-se de um mito. “Costuma-se dizer que aqui se bebe cerveja muito gelada porque o Brasil é quente, mas isso não é verdade. O verão europeu também é tão quente quanto o nosso”, explica. A diferença, segundo ele, está na qualidade e no objetivo da experiência. “A cerveja muito gelada pode mascarar defeitos que não percebemos por conta da temperatura. Em países tradicionalmente cervejeiros, muitas cervejas são consumidas menos geladas ou até em temperatura ambiente justamente para que seus sabores sejam apreciados.”
A temperatura influencia diretamente a percepção sensorial. “O frio é inimigo das nossas papilas gustativas. Se você compra uma cerveja com bastante complexidade e a bebe muito gelada, simplesmente não vai perceber isso. Está jogando seu dinheiro fora”, afirma.
Mais do que uma regra, a temperatura ideal depende do estilo da cerveja e da experiência que se busca. Nem toda cerveja precisa ser estupidamente gelada. Algumas pedem apenas frescor; outras, atenção.
Uísque precisa ser tomado com geloO consumo de uísque com gelo é uma prática bastante difundida e, para muitas pessoas, considerada a forma correta de apreciar a bebida. O costume está associado tanto ao clima quente do Brasil quanto à potência alcoólica do destilado.
De acordo com Maurício Porto, especialista em uísque e sócio do Caledonia Whisky & Co, essa percepção é resultado de um hábito popular, não de uma regra técnica. “Esse mito vem da forma mais comum de consumo das pessoas. É parecido com a ideia de que o conhaque precisa ser bebido em taças grandes, aquecido com as mãos”, afirma.
Segundo ele, é compreensível que o gelo seja visto como necessário. “Somos um país tropical e o uísque é um destilado alcoólico. As pessoas tendem a buscar formas de suavizar a bebida.” No entanto, muitos rótulos não foram pensados para esse tipo de consumo. “Muitos uísques foram feitos para ser apreciados sem gelo, em temperatura ambiente, especialmente os single malts.”
Na degustação profissional, o método reforça essa lógica. “Na degustação analítica, o uísque é provado puro, sem gelo, e no máximo com algumas gotas de água”, explica. O frio excessivo pode reduzir a percepção de aromas e sabores, interferindo na avaliação da bebida.
Vinho branco só é feito com uvas brancas
Vinho branco pode ser feito com uvas tintas • Unsplash
A associação entre a cor da uva e a cor do vinho é comum, mas nem sempre correta. A ideia de que vinhos brancos só podem ser elaborados a partir de uvas brancas ignora um princípio básico da vinificação.
Segundo o sommelier Ricardo Santinho, trata-se de um mito bastante difundido. “Inclusive, a maioria dos espumantes é elaborada com variedades de uvas tintas. A cor, na maior parte dos casos, está concentrada na casca. São raras as chamadas uvas tintureiras, que possuem polpa e suco naturalmente escuros. Se você prensar uma Cabernet Sauvignon sem deixar a casca em contato com o mosto, por exemplo, é perfeitamente possível obter um vinho branco”, explica.
Não se deve comer bolo quente
Ao contrário do que muitas avós e mães dizem, não há comprovação científica de que comer bolo quente faz mal à saúde • Pexels
Muita gente cresceu ouvindo que comer bolo quente faz mal. O aviso quase sempre vinha acompanhado da recomendação de esperar esfriar completamente antes de cortar a primeira fatia. A orientação atravessou gerações e se consolidou como um cuidado quase obrigatório na cozinha.
Mas, segundo Jean Rodrigo Tafarel, médico gastroenterologista, doutor em Ciências e coordenador do curso de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, a ideia não tem respaldo científico e se trata de um mito popular.
De acordo com ele, o estômago é plenamente capaz de lidar com alimentos quentes. O eventual desconforto relatado por algumas pessoas costuma estar relacionado a outros fatores, como o vapor ainda retido na massa ou o centro do bolo insuficientemente assado. Nesses casos, a sensação de estufamento pode ocorrer pela umidade e pelo calor concentrados no interior do alimento. Esperar alguns minutos pode ajudar, mas não por uma questão médica, e sim porque permite a liberação do vapor e a finalização do cozimento interno.
Não há, portanto, contraindicação para consumir bolo ainda quente. O cuidado está muito mais ligado ao ponto da receita do que à temperatura em si.
Alimentos sem glúten e lactose são sempre mais saudáveisProdutos “sem glúten” e “sem lactose” são fundamentais para pessoas com restrições específicas, como doença celíaca ou intolerâncias alimentares. Fora desses casos, a simples exclusão desses componentes não torna a alimentação automaticamente mais saudável.
No caso do glúten, órgãos de saúde e sociedades médicas alertam que a dieta sem glúten não é, por definição, superior. Ela é indispensável para quem tem indicação clínica, mas pode levar a um cardápio menos equilibrado quando a substituição é feita apenas por versões industrializadas e ultraprocessadas.
Em relação às calorias, os rótulos também podem enganar. “Sem glúten” ou “sem lactose” não significa menos calórico. Em outras palavras, o que define se um alimento é saudável não é a ausência de glúten ou lactose, mas o conjunto de seus ingredientes e o contexto da dieta como um todo.
Uma alimentação saudável precisa ter base em proteínas
Uma alimentação saudável é baseada em equilíbrio entre os grupos alimentares • Pexels
A ideia de que uma alimentação saudável deve ser restrita em carboidratos e rica em proteínas ganhou força nos últimos anos. O medo dos carboidratos levou muitas pessoas a reduzirem drasticamente pães, arroz, grãos, tubérculos e até frutas, acreditando que esse seria o caminho mais adequado para a saúde.
Segundo a nutricionista Deborah Lestingi, essa inversão pode ser prejudicial. Ao reduzir carboidratos de forma ampla, muitas vezes a pessoa também diminui o consumo de fibras e de nutrientes importantes presentes nesses alimentos. Em alguns casos, há inclusive restrição de frutas, por receio do açúcar natural.
Ao mesmo tempo, observa-se um aumento no consumo de carnes e queijos. Esses alimentos são fontes de proteína, mas também carregam gorduras saturadas, que devem ser consumidas com moderação. Quando ocorre essa substituição exagerada, cria-se um cenário mais favorável ao desenvolvimento de doenças crônicas, como colesterol elevado, resistência à insulina, diabetes e obesidade.
Deborah lembra ainda que, em um prato, a porção de carne costuma ser a parte mais calórica, muitas vezes superando a quantidade de calorias dos carboidratos que foram retirados. Para ela, uma alimentação saudável envolve equilíbrio: quantidade adequada de carboidratos, variedade de grãos, tubérculos, cereais e leguminosas, associados a porções apropriadas de proteína e vegetais.
Ela também chama atenção para a proliferação de produtos que prometem substituir carboidratos, como doces “fit”, itens “zero açúcar” e versões “low carb”. Ao analisar a composição desses alimentos, muitas vezes o resultado nutricional não é tão positivo quanto aparenta.
Comer carboidratos à noite engorda
Comer carboidratos à noite não te faz engordar mais ou menos: o importante é o conjunto da sua dieta e de seus hábitos • Pexels
A ideia de que o simples ato de comer carboidratos à noite leva ao ganho de peso é uma das crenças mais comuns quando o assunto é alimentação. O horário da refeição acaba sendo apontado como vilão, independentemente do que e de quanto se come.
Segundo a nutricionista Deborah Lestingi, esse raciocínio não se sustenta. O que leva ao ganho de peso não é o horário, mas o contexto calórico da alimentação como um todo. “O que engorda é um contexto de hipercaloria, e isso pode acontecer comendo à noite ou em qualquer outro momento do dia”, explica.
Ela ressalta que o contrário também é verdadeiro. “É possível comer à noite e emagrecer, desde que a pessoa esteja dentro de uma dieta hipocalórica”, afirma. Ou seja, se o consumo total de calorias estiver adequado às necessidades do organismo, o horário da refeição, por si só, não determina ganho ou perda de peso.
O mito se mantém porque costuma ignorar o conjunto da alimentação e do estilo de vida. Focar apenas no relógio simplifica uma questão que depende, sobretudo, de quantidade, qualidade e equilíbrio ao longo do dia.
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