Entre fogueiras e comidas típicas: como aproveitar o São João sem descuidar da saúde


Imagem: Rafael Lima/ PMC

Entre fogueiras e comidas típicas: como aproveitar o São João sem descuidar da saúde

Oftalmologista, enfermeira, nutricionista e pneumologista destacam a importância dos cuidados durante as festas juninas


Está chegando uma das épocas mais aguardadas do ano: o São João. É tempo de comidas típicas, quadrilhas, música, roupas coloridas e muita tradição. Mas, junto com as celebrações, também é importante redobrar a atenção com a saúde. Neste período, o uso de fogueiras e fogos de artifício aumenta consideravelmente, assim como os riscos de acidentes e problemas respiratórios. A oftalmologista Catarina Ventura, do Instituto de Olhos Fernando Ventura (IOFV), a enfermeira Rubiane Souza, a nutricionista Fabrícia Padilha e a pneumologista Patrícia Bezerra, da Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS), explicam quais cuidados devem ser adotados para aproveitar as festas com segurança.

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Olhos


De acordo com Catarina Ventura, fogueiras e fogos de artifício podem provocar desde irritações e alergias até queimaduras, traumatismos oculares e danos permanentes à visão. Entre os problemas mais comuns estão ardência nos olhos, conjuntivite, uveíte e reações alérgicas. Para a especialista, a prevenção começa com o uso responsável dos fogos e a supervisão constante de crianças.


“É importante evitar olhar para cima no momento em que os fogos são acionados, pois alguma fagulha pode atingir os olhos. Também é preciso cuidado com os fogos que falham ao acender. Muitas pessoas se aproximam para verificar o que aconteceu e eles podem disparar repentinamente, causando acidentes. Em relação às fogueiras, a fumaça é inevitável. Dependendo da quantidade de fogueiras nas ruas, mesmo quem está em casa pode ser afetado. O ideal é evitar a exposição direta à fumaça e ao calor. Quem sofre de olho seco tende a sentir mais irritação nesse período”, explica a diretora do IOFV.

Queimaduras


Tutora de Enfermagem da Faculdade Pernambucana de Saúde, Rubiane Souza alerta que queimaduras em regiões como genitália, extremidades, pescoço e face, mesmo quando aparentam ser leves, devem ser avaliadas por um profissional de saúde.


“Ao sofrer uma queimadura, a pessoa deve retirar imediatamente roupas e acessórios, como anéis, pulseiras e brincos, da área atingida e lavar o local com água corrente. Essa medida ajuda a aliviar a dor, resfriar a pele e evitar que a queimadura se agrave”, orienta.


A enfermeira também reforça que receitas caseiras devem ser evitadas. Não se deve aplicar creme dental, temperos, alimentos, talcos ou qualquer outro produto sobre a queimadura. Segundo ela, os casos mais graves costumam estar relacionados ao uso de combustíveis como gasolina, querosene e álcool para acender fogo ou substituir o gás de cozinha.


“Essas situações frequentemente resultam em explosões e queimaduras extensas, atingindo grandes áreas do corpo, de forma semelhante ao que acontece em acidentes com fogos de artifício”, explica Rubiane. Nesses casos, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.


Fumaça 


Além do risco de queimaduras, a fumaça das fogueiras pode causar diversos problemas respiratórios. Nas cidades, as fogueiras espalhadas pelas ruas aumentam a concentração de partículas no ar, favorecendo irritações e agravando doenças pulmonares.

De acordo com a pneumologista e tutora de Medicina da FPS, Patrícia Bezerra, quanto mais próxima a pessoa estiver das fogueiras, maior será a exposição aos efeitos nocivos da fumaça.


“Muitas pessoas convivem com doenças respiratórias, como a asma. A fumaça pode provocar a contração dos brônquios, desencadeando crises de falta de ar. Por isso, a orientação é manter distância das fogueiras e permanecer em ambientes bem ventilados. Pacientes asmáticos precisam ter atenção redobrada. Também é importante observar as crianças, que podem se afastar dos responsáveis e ficar mais vulneráveis tanto à fumaça quanto aos riscos de queimaduras”, destaca.


Alimentação


Pamonha, canjica, cuscuz, bolo de milho, pipoca e arroz-doce estão entre os alimentos mais consumidos durante as festas juninas. O milho, principal ingrediente de muitas dessas receitas, é uma excelente fonte de carboidratos e fibras, contribuindo para o bom funcionamento do intestino, explica Fabrícia Padilha, nutricionista e coordenadora do curso de Nutrição da FPS.


No entanto, a especialista alerta para os cuidados com a manipulação e a conservação dos alimentos.


“É importante observar as condições de preparo, armazenamento e comercialização dos produtos, principalmente porque muitos deles são altamente perecíveis e não resistem por longos períodos em temperatura ambiente. Também é necessário ter atenção à qualidade da matéria-prima utilizada nas receitas”, afirma.


Fabrícia ressalta ainda a importância de verificar as condições em que o milho é armazenado e vendido, especialmente em feiras livres.


“Muitas vezes as espigas ficam diretamente em contato com o chão e outras fontes de sujeira, o que aumenta o risco de contaminação. Esses cuidados são fundamentais, porque alimentos manipulados, armazenados ou comercializados de forma inadequada podem causar diversos problemas de saúde”, conclui.


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