Se você estava na internet no começo da década de 2010, provavelmente se lembra dele. Um garoto pequeno, de fraldas, sentado em um brinquedo e fumando um cigarro com a tranquilidade de quem estava brincando. A imagem parecia absurda, e justamente por isso percorreu o mundo.


O garoto era Ardi Rizal, da Indonésia. As imagens do menino fumando viralizaram em 2010 e fizeram dele um dos personagens mais insólitos da internet naquela época. No Brasil, Ardi fez sucesso como meme, sendo lembrado principalmente pelas fotografias e vídeos em que aparecia fumando enquanto ainda era praticamente um bebê.

Mas, por trás da imagem que provocava espanto e virou piada nas redes, havia um caso grave de dependência de nicotina.


Naquele ano, Ardi vivia em Teluk Kemang, no sul da ilha de Sumatra, na Indonésia. Segundo relatos publicados pela imprensa na época, ele teria recebido seu primeiro cigarro do próprio pai quando tinha aproximadamente 18 meses. O menino passou a imitar os adultos ao redor e, posteriormente, também recolhia cigarros encontrados no chão.


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O caso provocou críticas à família, que foi questionada por permitir que uma criança tão pequena tivesse acesso ao tabaco.

Ardi chegava a fumar aproximadamente 40 cigarros por dia, aos 2 anos, o equivalente a dois maços. O caso chamou a atenção de autoridades e organizações de proteção à infância na Indonésia, que passaram a acompanhar o menino e buscar uma maneira de interromper o vício.


A Indonésia enfrenta uma forte cultura de consumo de tabaco, especialmente entre homens. Estudos apontam que o cigarro chegou a ser associado à masculinidade entre meninos e adolescentes, enquanto a indústria mantinha ampla presença na sociedade e o acesso ao produto era relativamente fácil.

A recuperação de Ardi, entretanto, trouxe outro desafio. Depois de abandonar a nicotina, Ardi desenvolveu uma relação compulsiva com a comida e ganhou peso. Aos 5 anos, segundo relatos, ele havia chegado a cerca de 24 quilos e passou a receber acompanhamento também para controlar a alimentação.


Segundo ele, chegou a sofrer com bullying na escola por levar mais comida do que os demais alunos para a escola.

O menino veio ao Brasil

Em 2019, quase uma década depois de suas imagens terem viralizado, Ardi apareceu na televisão brasileira aos 11 anos.


A atração reencontrou o menino que havia ficado famoso e mostrou como ele estava anos depois de abandonar o vício. Ardi passou por exames médicos e conversou com o apresentador sobre sua infância.


Os exames apresentados não indicavam lesões pulmonares importantes, como câncer, tumor ou enfisema. O resultado foi considerado positivo diante do histórico de exposição à fumaça.

Em 2022, ele ainda frequentava a escola e mantinha uma alimentação mais equilibrada. Hoje, com 18 anos, passou a ser citado em entrevistas ao relembrar a dependência que enfrentou ainda na primeira infância.


O caso ajudou dimensionar como a relação da Indonésia com o tabaco mudou ao longo dos anos. Em 2024, o país elevou de 18 para 21 anos a idade mínima para a compra de cigarros. As regras também proibiram a venda de unidades avulsas e restringiram a comercialização de produtos de tabaco nas proximidades de escolas e parques infantis.

Fonte: msn.com

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