Obras, creches, políticas sociais, relações com Alepe e governo federal: os desafios de Raquel Lyra no 2º mandato

 




Governadora reeleita começa novo mandato em janeiro de 2027. Ela terá apoio de pouco mais da metade dos deputados estaduais. Relação com presidente da República é fator de incerteza.

Reeleita governadora no 1º turno, Raquel Lyra (PSD) saiu das urnas com uma importante vitória política e uma configuração melhor na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) do que em sua primeira eleição, em 2022. A entrega das promessas de campanha, a relação com o Legislativo estadual e a incógnita sobre o presidente da República são desafios para o novo mandato

Primeira mulher eleita e reeleita para o comando do estado, Raquel teve como um dos principais compromissos de campanha a construção de 250 creches. De acordo com o governo do estado, 23 foram entregues até o fim de setembro e o objetivo da gestão é fazer esse número chegar a 100 até dezembro e completar o restante em 2027.


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A questão das creches dominou a campanha e simboliza uma "dívida" do primeiro mandato que ficou para o segundo. O cientista político Bhreno Vieira acredita que as promessas de campanha acumuladas são um desafio para a governadora.

"Entre os principais desafios de Raquel que a gente observa, desse segundo mandato, seria basicamente tentar entregar as promessas não cumpridas do primeiro. Então, Raquel tem um contingente de obras de infraestrutura, como o Arco Metropolitano, como a questão de créditos, como as melhorias da infraestrutura na Compesa, enfim, uma série de medidas que, de certa forma, não foram concretizadas no primeiro mandato. E vai para o segundo mandato com desafios de finalizar o que tinha prometido ao primeiro, somadas a isso, outras obras e outras questões que foram prometidas durante o segundo", afirmou.

O g1 listou as promessas de campanha de Raquel Lyra na campanha à reeleição que mais marcaram a campanha e que devem estar na lista de cobranças da população para o próximo mandato, além dos desafios nas relações institucionais:


Relações com o Legislativo e o governo federal

Creches

Delegacias da Mulher 24 horas

Canal do Fragoso

Arco Metropolitano

Política social

Habitação e eliminação das palafitas

Ônibus climatizados

Compesa e abastecimento de água

Relação com Alepe e governo federal

Um contexto que se destaca nas dúvidas para o novo mandato é a reconfiguração política. No primeiro mandato, Raquel Lyra teve problemas na relação com a Assembleia Legislativa, especialmente com o presidente da Casa, o deputado estadual Álvaro Porto (MDB).


Para o novo mandato, a estimativa é que a governadora terá, ao menos, o apoio de 29 dos 49 deputados estaduais eleitos, cerca de 59% do total.


No Congresso Nacional, pela primeira vez na história, um governante de Pernambuco é eleito sem fazer nenhum senador. Com a vitória de Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT), todos os senadores são da base de oposição à Raquel, já que a terceira senadora é Teresa Leitão (PT), eleita em 2022. Apesar disso, o cientista político Bhreno Vieira não vê muitas dificuldades na relação.


"A figura de Humberto Costa funciona como uma ponte central, tendo em vista, principalmente, o contato e o diálogo que um conjunto de prefeito tem tanto com Humberto, como com a figura da governadora. Esses prefeitos de cidades-chave, por exemplo, podem atuar como uma mediação entre o senador e a governadora. Isso inicialmente não chega a ser um entrave, nesse contexto. A questão toda é como vai se dar o desenho, essa conversa, essa negociação entre as duas figuras, uma vez que um senador da República consegue, de certa forma, trazer recursos prioritários do estado, conseguir políticas, defender a questão dos próprios interesses do governo durante as apresentações de pauta que toquem as questões dos estados", explicou o professor.

Já sobre a relação com o governo federal, reside a maior dúvida para o próximo ciclo do estado. Nos últimos quatro anos, a governadora e o presidente e candidato à reeleição Lula (PT) construíram uma relação política firme. Raquel Lyra costuma reforçar que é "grata" ao presidente.


Com o presidente em segundo lugar no 1º turno das eleições presidenciais de 2026 e as chances de Flávio Bolsonaro (PL) ser eleito, a futura relação é uma incógnita. "Eu tenho uma gratidão ao presidente [Lula] e aos seus ministros, mas eu continuo mantendo a minha coerência de colocar Pernambuco em primeiro lugar", disse Raquel, quando questionada sobre o 2º turno presidencial.


Para o professor Bhreno Vieira, os modelos econômicos de Lula e Flávio Bolsonaro são fortemente opostos e uma vitória do candidato da oposição pode interferir nos programas que já estão em execução no estado.


"De contraponto ao plano econômico de Flávio Bolsonaro, ele enxerga a questão do Estado não como esse agente indutor dessas reformulações, mas o Estado simplesmente como um agente regulamentador desse contexto. Basicamente, o que a gente observa nisso é que, com a possível vitória de Flávio, simplesmente o Estado perderia força dentro desses recursos discricionários", afirma.

O 2º turno presidencial está marcado para o dia 25 de outubro. A governadora Raquel Lyra e sua vice, Priscila Krause (PSD), tomam posse para o segundo mandato no dia 6 de janeiro de 2027, um dia após a posse presidencial.


Creches

Promessa mais famosa do primeiro mandato, foi alvo de críticas na campanha de seu principal adversário, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). Raquel Lyra entregou a primeira das 250 prometidas no fim de dezembro de 2025, com três anos do primeiro mandato já completados.


Ao longo de 2026, o ritmo de entrega aumentou e chegou a 23 até o fim de setembro, de acordo com o governo. A meta é ambiciosa: entregar outras 77 creches nos próximos três meses e outras 150 até o final de 2027, primeiro ano do segundo mandato.

Fonte: g1.globo.com/pe


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